‘Guerra comercial’ faz investidores buscarem refúgio além do ouro

Foto: Colagem BP Money

Com o avanço dos conflitos, ou da chamada “guerra comercial” envolvendo os EUA, muitos investidores têm buscado alternativas para se proteger. As aplicações mais comuns são em ouro, mas analistas apontam que há outros ativos que podem trazer esse “respiro”.

Dentre as opções que podem ser atrativas estão os títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo, pois são considerados investimentos de baixo risco e oferecem proteção em períodos de incerteza econômica.

Nesse sentido, uma pesquisa do BofA (Bank of America) apontou que 8% dos gestores de fundos acreditam que esses títulos têm bom desempenho em meio a guerras comerciais.

Agora, com um olhar voltado para o mercado doméstico, a renda fixa brasileira segue atraente. O CEO da Mannah, startup especializada em blockchain, Pedro Xavier, reforça a indicação dos ativos, especialmente em um contexto em que a Selic (taxa básica de juros) está em 14,25% ao ano.

“Investimentos como o Tesouro Direto, principalmente o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+, oferecem segurança e bom retorno”, comentou Xavier.

Além disso, diante da Selic elevada, o movimento de realocação de recursos para a renda fixa afeta negativamente o desempenho do mercado acionário. “Para uma melhor decisão de alocação de recursos financeiros, é muito importante que os aplicadores se atentem ao desempenho dos principais índices de inflação, assim como acompanhem as perspectivas para a taxa Selic”, comentou André Paiva Ramos, conselheiro do Corecon-SP.

Por fim, os especialistas ouvidos pelo BP Money apontaram que fundos de FIC FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) pulverizados são uma boa opção. “Têm baixa inadimplência, boa estrutura de subordinação e pouca oscilação. Servem bem para preservar capital com previsibilidade”, disse Felipe Calabresi, da Ike Capital.

“Títulos pós-fixados em CDI de bancos grandes também oferecem segurança e liquidez”, acrescentou Calabresi.

‘Guerra comercial’: qual o nível de risco para os investidores?

Os EUA iniciaram uma guerra comercial com a China e uma onda de “tarifas recíprocas”, como são chamadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, prometidas para entrar em vigor nesta quarta-feira (2).

“Acredito que, pela primeira vez em décadas, veremos um comércio justo e todos terão a oportunidade de reduzir suas barreiras tarifárias”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em entrevista à Fox News.

Segundo economistas, os apelos de Trump por taxações também refletem frustrações de longa data que muitas empresas sentem sobre a concorrência estrangeira e as políticas que enfrentam no mercado externo.

“O cenário macroeconômico segue instável, com juros altos, pressão nos lucros e maior aversão ao risco. Nessa fase, o investidor deve ser mais seletivo, fazer aportes graduais e priorizar setores resilientes”, comentou Felipe Calabresi.

Com isso, os investidores devem se manter atentos aos setores, especialmente os cíclicos ou empresas com baixa previsibilidade de fluxo de caixa. “Investidores devem priorizar ativos de empresas com fundamentos sólidos, baixa alavancagem e atuação em setores defensivos”, acrescentou Pedro Xavier.

Assim, manter uma perspectiva de longo prazo torna-se fundamental, mesmo com o mercado volátil no curto prazo. “Investimentos de longo prazo tendem a suavizar as flutuações. É importante evitar ações que já estejam supervalorizadas, avaliando o valuation dos ativos, pois as quedas podem ser acentuadas”, explicou Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos.

Em quais setores ficar de olho?

Para especialistas, o cenário recomenda cautela, mesmo nos momentos que exigem rápidas tomadas de decisão. No mercado de ações, há setores que podem ser mais afetados do que outros, dependendo dos rumos da economia nacional e internacional.

Nesse contexto, o agronegócio brasileiro pode oferecer oportunidades. Considerando as tarifas impostas entre EUA e China, o Brasil pode ganhar espaço para elevar suas exportações de soja, milho e proteínas para outros países. Recentemente, a JBS (JBSS3) anunciou um investimento de US$ 100 milhões para construir duas fábricas no Vietnã.

Além disso, o setor de tecnologia também merece atenção. Assim, nações como Vietnã e México têm atraído investimentos nessa área devido à realocação de cadeias produtivas.

Outros segmentos promissores incluem energia, mineração estratégica e infraestrutura logística. Segundo Pedro Xavier, isso ocorre devido à necessidade de reposicionamento das cadeias globais.

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