TVs box piratas transformadas em computadores para escolas públicas

TVs box piratas estão sendo transformadas em computadores e utilizadas em escolas públicas para ampliar o acesso à tecnologia e combater a evasão escolar. A iniciativa envolve a Receita Federal e instituições públicas de ensino técnico e superior, que reaproveitam equipamentos antes destinados ao lixo eletrônico.

Esses dispositivos, originalmente utilizados de forma ilegal para captar sinais de TV por assinatura, são apreendidos todos os anos em grandes quantidades. Somente a Receita Federal registra cerca de 600 mil unidades recolhidas anualmente. Com o projeto, o material é recuperado e convertido em equipamentos funcionais.

Leia mais:

  • Polícia dos EUA distribui gratuitamente Airtags para evitar roubo de carros
  • Alexandre de Moraes diz que Starlink é um risco à soberania do Brasil
  • TRF exige que Apple disponibilize outras formas de pagamento na App Store no Brasil

Parceria entre Receita e instituições de ensino

Desde 2021, a conversão das TVs box em computadores começou no sul de Minas Gerais e se expandiu para o estado de São Paulo. Em pouco tempo, ganhou adesão de importantes instituições, como Unicamp, Unesp, UFSCar e as Fatecs. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) – Campus Salto é um dos destaques do projeto.

O IFSP de Salto já entregou mais de 2.500 computadores convertidos, sendo 1.500 destinados diretamente a escolas públicas e os demais usados em quiosques de atendimento da Receita Federal à população. A adaptação dos aparelhos envolve a substituição do sistema Android, frequentemente corrompido, por uma versão leve do Linux.

Divulgação

Segundo o professor Luís Henrique Sacchi, doutor em engenharia elétrica pela Unicamp e coordenador do projeto no campus de Salto, o objetivo vai além do reaproveitamento de tecnologia. “Estamos formando hackers do bem”, afirma, referindo-se aos estudantes que participam do processo.

Como funciona a conversão das TVs box

Conteúdo Relacionado
TV box pirata TV a cabo / tv box escolas / TV boxes infectadas

Um perigo!

Mais de 370 mil TV boxes infectadas no Brasil são usadas em fraudes, revela relatório

Os alunos aprendem, na prática, a lidar com software livre, sistemas operacionais e hardware. Para transformar as TVs box em computadores funcionais, basta acoplar um monitor, um teclado e um mouse. Assim, o equipamento se torna uma solução de baixo custo para salas de aula carentes.

O sistema operacional Android original é removido por conter softwares maliciosos, e dá lugar ao Linux. Isso garante segurança, funcionalidade e maior durabilidade ao dispositivo, que passa a ter nova utilidade nas mãos dos estudantes e professores.

Controle de presença biométrico é a nova etapa

Neste ano, o projeto avança para uma nova etapa: o uso das TVs box para controle de presença biométrico nas escolas. Com a adição de um leitor de impressão digital e o desenvolvimento de um software próprio, o sistema promete maior precisão no registro de presença dos estudantes.

Governador da Califórnia propõe rosto de Steve Jobs na moeda de US$ 1 nos EUA

O dispositivo fica posicionado na mesa do professor, permitindo que os alunos registrem sua presença por meio da digital. Ao final de cada dia, o sistema envia automaticamente os dados ao docente via e-mail, tornando o processo mais confiável e eficiente.

Sacchi aponta que muitos professores, por falta de computadores nas salas de aula, recorrem aos próprios celulares para lançar as chamadas. Isso prejudica a visualização da lista de alunos e dificulta o processo. Além disso, instabilidades no sistema e sinal fraco de wi-fi são desafios constantes.

Tecnologia contra a evasão escolar

A adoção de um sistema biométrico pode ajudar a reduzir a evasão escolar, ao permitir a criação de alertas automáticos para escolas e responsáveis quando há faltas frequentes. Os dados também podem ser cruzados com outras informações sobre o aluno, como situação socioeconômica e atendimento por programas de apoio.

Polícia Civil apreende centenas de TV Box piratas em operação na Santa Ifigênia

O custo estimado de cada unidade adaptada com o controle biométrico varia entre R$ 600 e R$ 800. Apesar disso, o investimento é considerado viável, especialmente em comparação com o preço de um computador convencional.

Formação prática e impacto social para estudantes

Os estudantes envolvidos no projeto destacam os ganhos acadêmicos e sociais. Thiago Rafael Gonçalves da Silva, 23 anos, diretor do projeto, afirma que a experiência é transformadora. “Aprendemos muito e ajudamos diretamente a comunidade.”

Aline Santos Ferreira, 20 anos, também participa da iniciativa e ressalta o aprendizado multidisciplinar. “Não é só tecnologia, é também gestão, organização e responsabilidade social.”

Um vídeo sobre a iniciativa, produzido pelos próprios alunos, será exibido no recém-inaugurado Museu da Alfândega de Santos, como forma de apresentar à sociedade o impacto positivo do reaproveitamento das TVs box piratas.

Do contrabando à inclusão digital

O projeto faz parte do programa Receita Cidadã, da Receita Federal de Sorocaba, que visa não apenas combater o contrabando, mas também dar destino sustentável aos produtos apreendidos. Com isso, o que antes era lixo eletrônico e ameaça à economia se transforma em ferramenta de inclusão e cidadania.

A iniciativa mostra que a inovação pode surgir da adversidade. Ao reaproveitar as TVs box para fins educativos, estudantes e professores não apenas reduzem o desperdício, mas também ampliam o acesso ao conhecimento e criam soluções que impactam positivamente a realidade das escolas públicas brasileiras.

Conteúdo Relacionado
GoPro HERO13 Black Polar White

NOVIDADE

GoPro HERO 13 Black Branco Polar anunciada + lente anamórfica

Fonte: Folha

Adicionar aos favoritos o Link permanente.