Os efeitos danosos das secas

editorial

Quando se discutem tragédias ambientais, a primeira associação é com os temporais, que no verão que se encerrou começaram mais cedo. Juiz de Fora já teve chuvas fortes no mês de outubro. No entanto as secas também têm forte repercussão nos eventos climáticos por terem o mesmo potencial de danos.
O portal G1, em matéria nessa segunda-feira, destacou um estudo recente publicado na revista científica “Science”, que destacou as chamadas megassecas – isto é, períodos de seca que duram pelo menos dois anos -, que se tornaram frequentes, quentes e devastadores ao redor do mundo. O Brasil teve dois episódios dessa magnitude. A pesquisa analisou, inicialmente, dados de 1980 a 2018, quando identificou 13 mil eventos.
O país voltou a ter uma megasseca em 2024, que afetou mais da metade do território nacional. Antes, em 2023, uma severa seca devastou a Amazônia e o Pantanal, criando situações históricas, como a queda inédita do nível das águas dos rios Madeira, Negro e Solimões. Comunidades ribeirinhas, paradoxalmente, ficaram ilhadas pela falta de meios de transporte. O número de incêndios foi acima da média. Ao fim e ao cabo, ocorreu uma tragédia anunciada, que deve ter novos capítulos.
Pelo mundo afora, as secas têm causado danos imensuráveis, com rios de grande extensão sequer chegando ao mar ante o assoreamento de seu curso.
Quando o clima se desestabiliza em regiões de grande potencial de águas, como a Amazônia, os danos se espalham pelo país afora. Entre 2013 e 2015, a cidade de São Paulo, especialmente o Sistema Cantareira, teve um dos principais eventos que levou à pior crise hídrica da história recente do estado.
Fenômenos como o El Niño têm forte influência na instabilidade do clima, mas há também o fator humano, sobretudo quando há gestão ineficiente dos recursos hídricos, expansão urbana desordenada e falta de governança integrada entre os municípios. O maior reservatório de Juiz de Fora fica, de fato, nos municípios de Santos Dumont, Antônio Carlos e Ewbank da Câmara, daí a necessidade de ações integradas frequentes para que zelem pelo manancial.
As secas provocam danos irreversíveis também no campo. O agronegócio, quando afetado, cria uma cadeia de eventos que repercute diretamente na mesa do consumidor. O Centro-Oeste passa por um novo período de escassez.
A tomada de decisão deve ocorrer sob a coordenação dos governos, em todas as instâncias, mas também envolvendo outros países, por se tratar de uma demanda global. Os mapas sobre as secas, ao indicarem os dez eventos de megassecas mais graves, destacam não apenas o Brasil, mas também o Sudoeste dos Estados Unidos, a África Ocidental, a Ásia Central e a Rússia, entre tantos outros.

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