Milei ‘economista do ano’? Conselhos de Economia brasileiros discordam

Javier Milei, presidente da Argentina
Javier Milei, presidente da Argentina / Foto: RS/ via Fotos Publicas

Após a EOB (Ordem dos Economistas do Brasil) ter concedido ao presidente da Argentina, Javier Milei, o prêmio de Economista do Ano, o Cofecon (Conselho Federal de Economia) e o Carecon-SP (Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo) manifestaram-se contra a decisão.

A entrega da premiação a Milei foi comunicada pelo OEB durante um encontro em Buenos Aires nesta terça-feira (25). Os representantes da entidade destacaram que o argentino foi escolhido por sua atuação nas políticas monetária e regulatória, que, segundo a entidade, estão conduzindo a Argentina a uma estabilização econômica em um cenário desafiador.

O comunicado assinado pela presidência do Cafecon destacou que Milei enfrentou recentemente um escândalo de natureza econômica no próprio país, sob acusação de participar de uma associação ilícita que causou prejuízo a mais de 40 mil pessoas através da criptomoeda $LIBRA.

“O Cofecon ressalta, também, que a OEB é uma entidade privada que reúne um pequeno grupo de cidadãos, economistas ou não, e não possui qualquer atribuição normativa, fiscalizatória ou representativa sobre a profissão de Economista”, comentou a entidade.

Além disso, o Cofecon ressaltou também que é papel exclusivo do Conselho Federal de Economia e aos Conselhos Regionais de Economia, com base na Lei 1.411/1951), fazer a regulamentação e fiscalização do exercício da profissão no País, incluindo o registro profissional obrigatório para o desempenho da atividade. 

Paralelamente, o Corecon-SP também se manifestou, destacando o histórico do mandatário do OEB, Manuel Enriquez Garcia. 

“Cabe destacar que o Sr. Manuel Enriquez Garcia teve o seu registro de Economista suspenso pelo Cofecon por questões éticas, tendo o Tribunal de Contas da União (TCU) considerado procedentes as denúncias de irregularidades cometidas em sua gestão quando foi Presidente do Corecon-SP, na década passada”, afirmou Odilon Guedes, presidente do Corecon-SP.

Enquanto isso, o Conselho Federal de Economia apontou também que os termos do prêmio da Ordem dos Economistas do Brasil apresentam “condições que não se verificam no caso de um economista cuja atuação se dá fora do Brasil”.

Conforme o comunicado, o regulamento do prêmio afirma que ele é “destinado a premiar Economistas que se destacaram na atividade profissional ou em trabalhos em benefício do país, da coletividade ou da classe dos economistas”.

“Por fim, o Cofecon reafirma seu compromisso com uma economia que promova o desenvolvimento sustentável, fortaleça o mercado interno, reduza as desigualdades e garanta inclusão social e oportunidades para todos”, concluiu o Conselho Federal de Economistas.

Milei: escândalo das criptomoedas foi um ‘tapa na cara’

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta segunda-feira (18) que o escândalo de criptomoedas que se envolveu foi um “tapa na cara”. O presidente disse estar arrependido e que a lição apreendida é que seu acesso precisa ser mais restrito, como apurou o jornal Valor Econômico.

O mandatário afirmou em uma entrevista a emissora de tv argentina que tinha a melhor das intenções ao divulgar a moeda e que achava que o instrumento poderia ajudar projetos do país: “Sou um tecno-otimista e isso me foi proposto como um instrumento para ajudar a financiar projetos argentinos”, comentou.

O gabinete de Milei afirmou que o presidente se reuniu duas vezes com representantes das empresas que criaram a moeda, mas que ele não esteve envolvido no seu desenvolvimento. O político solicitou investigação se houve alguma irregularidade por parte dele.

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