Crítica | Parthenope: Os Amores de Nápoles – O Filme Mais Sensual da A24

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A produtora A24 ficou popularmente conhecida (principalmente dentre o público jovem) por conta da sua dedicação em distribuir e produzir filmes de cunho independente, sem ser grandes produções, geralmente no gênero do terror e que, até por conta disso, tem conquistado um público cativo. Mas aos pouquinhos, nos últimos anos, a produtora estadunidense vem expandindo para outros gêneros e países, tendo chegado recentemente aos cinemas brasileiros com o filme italianoParthenope: Os Amores de Nápoles’, em cartaz no circuito desde o último dia 27.

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Na ensolarada e sempre turística Nápoles, ao sul da Itália, uma família riquíssima observa o nascimento da mais nova bebê da mansão: é Parthenope, cujo nome é dado a partir de uma sereia da mitologia romana, uma vez que a criança nasce dentro da água, nos anos 1950. A partir daí, o filme acompanha a vida dessa criança, que se torna uma enigmática adolescente e uma misteriosa mulher até os dias atuais, percorrendo suas descobertas, os amores e desamores, ao mesmo tempo em que conta as mudanças do pensamento contemporâneo com o passar do tempo.

Com quase duas horas e vinte de duração, é evidente que o filme poderia ser bem menos longo, afinal, ele conta apenas uma história comum. Entretanto, uma vez que uma das propostas do longa é delinear a progressão do pensamento social e do lugar da mulher nesta mesma sociedade, esse tempo a mais da produção permite que a história se desenvolva com mais tranquilidade através das décadas.

Parthenope: Os Amores de Nápoles’ faz um jogo dicotômico: ao mesmo tempo em que tem como protagonista essa sereia sedutora cuja voz atrai homens por onde passa e os enlouquece, tal qual nas lendas, ao mesmo tempo o filme mostra essa personagem com total controle sobre si, retratando-a como uma mulher que sabe e entende sua beleza, mas que não a usa frivolamente; ao contrário, Parthenope é uma mulher culta, inteligente, estudada e com ambições acadêmicas para entender e ensinar sobre filosofia e sociologia.

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Escrito e dirigido pelo vencedor do Oscar, Paolo Sorrentino, o filme recupera a estética de seu projeto anterior, ‘A Grande Beleza’, vista no personagem John Cheever, um escritor dândi que flana pelas ruas de Nápoles, interpretado pelo irreconhecível Gary Oldman. Nesta pintura ensaística, o grande destaque é, claro, a jovem Celeste Dalla Porta que dá vida e cores à protagonista de modo hipnotizante. Celeste, que vive Parthenope desde a adolescência até a vida adulta (aqui ganhando um trabalho mais acentuado da caracterização) tem uma beleza tão natural e ao mesmo tempo tão forte, que é simplesmente impossível desgrudar os olhos dela, o que só reforça a excelente escolha do diretor para o seu elenco.

Com uma leve pitada de terror ao final de sua trama, ‘Parthenope: Os Amores de Nápoles’ é uma ode à beleza e a liberdade do corpo, principalmente ao das mulheres. De certa forma, é o filme mais sensual da A24, ainda que a produção não seja exclusiva deles. Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes e exibido no Festival do Rio,  ‘Parthenope: Os Amores de Nápoles’ é um belo filme que dá uma aula de como a fotografia é essencial para contar uma história.

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