EUA: após tarifaço, Wall Street corta previsões para o PIB

Foto: EUA/CanvaPro

Os EUA correm risco de cair em uma recessão ainda neste ano, ao passo que a inflação pode retornar aos níveis da pandemia de Covid-19 em reflexo às novas medidas tarifárias do governo de Donald Trump, alertaram economistas de Wall Street.

O republicano impôs elevadas tarifas sobre seus parceiros comerciais globais, especialmente para os países aliados da Ásia e a UE (União Europeia).

Considerando esse cenário, a Nomura Securities International cortou sua previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA para apenas 0,6% este ano. Ao mesmo tempo, o banco também aumentou sua previsão para uma medida-chave da inflação subjacente para 4,7%.

Por sua vez, os economistas do Barclays projetam uma contração do PIB de 0,1%, com uma visão um pouco mais otimista da inflação, um aumento de 3,7%, de acordo com o “Valor”. Além disso, eles também têm expectativa de que a taxa de desemprego suba até o final do ano.

Outro banco relevante no cenário, o Goldman Sachs, no início da semana, elevou a probabilidade de uma recessão nos EUA de 20% para 35% e que por isso prevê mais cortes de juros pelo Fed (Federal Reserve), citando as perturbações causadas pelas tarifas. 

O banco também reduziu a previsão de crescimento do PIB da maior economia do mundo este ano de 2% para 1,5%.

Fed alerta para ‘interrupções generalizadas’ com novas tarifas nos EUA

Fed (Federal Reserve) de Richmond publicou um relatório destacando que as propostas tarifárias do governo de Donald Trump trazem mudanças substanciais na política comercial dos EUA, com impactos econômicos “potencialmente significativos”, variando conforme os setores e regiões. O documento não menciona as tarifas recíprocas recentemente divulgadas.

“Nossa análise destaca que a carga tarifária imediata – medida pela taxa média efetiva de tarifa – pode aumentar substancialmente, de modestos 2,2% no cenário de referência para até 17,0% na proposta mais agressiva”, menciona.

O Fed de Richmond alerta que as tarifas impostas ao Canadá, México, União Europeia (UE) e ao setor automobilístico podem causar “interrupções significativas” em setores essenciais da economia dos EUA.

Preocupações empresariais com as tarifas e seus impactos econômicos

O relatório destaca que as preocupações com as tarifas são amplamente compartilhadas pelos líderes empresariais, especialmente no setor de manufatura.

“Mais de 30% das empresas agora consideram as políticas comerciais e tarifárias como sua principal preocupação comercial, um número mais de três vezes superior ao registrado no trimestre anterior”, aponta o documento.

“As tarifas propostas podem aumentar os custos de insumos, interromper as cadeias de suprimentos e resultar em preços mais altos ao consumidor, potencialmente superando quaisquer ganhos de emprego esperados em setores protegidos”, alerta o relatório.

Adicionalmente, o texto sugere que essas mudanças tarifárias podem prejudicar a competitividade das empresas americanas no mercado global, exigindo uma análise cuidadosa das consequências econômicas em várias frentes.

O relatório reforça a necessidade de ações específicas para apoiar os setores mais impactados.

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