Banco Central ‘não faz milagre’ sem apoio de política fiscal, diz Armínio Fraga

Economista e ex-presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga criticou a situação fiscal do Brasil durante a comemoração dos 60 anos do órgão nesta quarta-feira, 2. “Não dá para o Banco Central funcionar se não tiver apoio fiscal. O Banco Central não faz milagre”, disse. Fraga chefiou a autarquia entre 1999 e 2003, durante o segundo mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

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O ex-presidente do BC retomou uma metáfora já utilizada por ele em outros momentos do Brasil como um “paciente doente”. “Hoje, os sintomas do paciente Brasil são extremamente preocupantes”, disse. Em fevereiro, ele chegou a afirmar que vê o país “na UTI” e a pedir ao novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, que convença o governo federal a atuar nesta área.

“O governo brasileiro toma dinheiro emprestado há 30 anos pagando IPCA 7,5% ou mais. Não é uma política cíclica que procura corrigir um desvio da inflação da meta, que leva tipicamente dois anos mundo afora. São 30 anos. Isso não é viável. Eu acho que nós estamos enfiando a cabeça na areia”, criticou Fraga durante a celebração do aniversário do BC.

Suas falas foram endossadas por Alexandre Tombini, que esteve à frente do BC durante o período em que Dilma Rousseff esteve na presidência. “É uma lição que a gente conhece na América latina e no Brasil. Se você não tiver uma política monetária vista como sustentável, o ‘trade off’ da política monetária fica deteriorado. Você vai precisar de uma taxa de sacrifício econômico maior para atingir a meta de inflação”, disse.

Apesar dos rápidos momentos de crítica, o evento de aniversário da autarquia manteve na maior parte do tempo um clima amistoso e celebratório. Diversos ex-presidentes agradeceram ao atual chefe do órgão, Gabriel Galípolo, pelo convite e rememoraram os anos na instituição. A frase “a gente sai do Banco Central, mas o Banco Central não sai da gente” foi repetida mais de uma vez.

Os juros e a situação fiscal

A taxa básica de juros brasileira, a Selic, encontra-se atualmente em 14,25%. Ranking elaborado pela MoneyYou mostra que, entre 40 países, o juro real brasileiro é o 4º mais elevado.

A Selic é utilizada como base para cálculo do retorno dos títulos do Tesouro Direto, comercializados como uma espécie de “empréstimo” para o governo. Há ainda os títulos mencionados pro Fraga, vinculados ao IPCA (Índice de Preços Consumidor Amplo), a inflação oficial do país. Também existem papéis com juros prefixados.

A deterioração do cenário fiscal, segundo analistas do mercado financeiro, torna necessário o pagamento de retornos mais altos por estes títulos da dívida pública. Ao mesmo tempo, os juros mais altos aumentam o endividamento.

Para 2025, a meta fiscal do Brasil é de déficit zero. O orçamento, que prevê um superávit de R$ 15 bilhões, foi aprovado pelo Congresso apenas em março e ainda aguarda sanção presidencial.

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