Por que a Geração Z pode se tornar a mais rica da história?

Nos Estados Unidos, a Geração Z tem convivido com um paradoxo. De um lado, os jovens enfrentam salários baixos, aluguéis cada vez mais altos e dificuldades para se estabelecerem financeiramente. Do outro, projeções indicam que eles deverão acumular a maior fortuna já registrada entre todas as gerações.

Um levantamento do Bank of America mostra que, até 2040, a renda acumulada da Geração Z deve saltar para US$ 74 trilhões. Em 2030, o número já deve chegar a US$ 36 trilhões — um crescimento expressivo em menos de duas décadas.

A expectativa é que essa geração represente cerca de 30% da população global até 2035, assumindo o protagonismo econômico ao lado dos millennials.

Hoje sem casa nem filhos — amanhã, com bilhões no bolso

A distância entre o presente e o futuro, no entanto, ainda é grande. Muitos jovens americanos estão atrasando planos de vida, como ter filhos ou comprar uma casa.

Os altos custos com moradia, educação e saúde fazem com que boa parte da geração continue morando com os pais ou dividindo aluguel com amigos. Em vez de bebês, os pets ocupam espaço no orçamento e no afeto — mas também pesam no bolso.

Segundo o relatório do Bank of America, os jovens têm recusado oportunidades de trabalho por não conseguirem pagar o deslocamento até os escritórios. Outros acabam aceitando vagas abaixo de suas qualificações.

Do mesmo modo, a combinação de supereducação e subemprego é uma marca dessa fase. Só em fevereiro, o número de famílias jovens que receberam seguro-desemprego cresceu 32% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

A herança da Geração Z

A principal aposta para a virada financeira da Geração Z está na chamada Grande Transferência de Riqueza. Um levantamento da consultoria Cerulli Associates, citado pelo Bank of America, projeta que US$ 84 trilhões serão repassados dos boomers e da Geração X para os mais jovens até 2045.

Embora a maior parte vá para os millennials, a Geração Z também deve herdar uma fatia significativa desse volume.

Com o aumento dos salários — que já cresceram 8% em 12 meses — e o início da atuação em tempo integral no mercado de trabalho, os ganhos estão subindo. Se esse ritmo se mantiver, a tendência é que o poder de consumo dessa geração aumente junto, podendo alcançar US$ 12,6 trilhões em 2030.

Para efeito de comparação, esse número era de US$ 2,7 trilhões em 2024.

Mudam-se as carteiras, mudam-se gerações

Sem casa e com altos custos, a Geração Z nos EUA vive o oposto do que se projeta para o futuro: riqueza e influência global. (Foto: franckreporter/Getty Images Signature)

A Geração Z é formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2012. Isso significa que, atualmente, esse grupo reúne adolescentes, jovens adultos e até profissionais em início de carreira. Embora muitos ainda enfrentem dificuldades financeiras, são eles que devem protagonizar grandes transformações econômicas e culturais na próxima década.

Com hábitos diferentes das gerações anteriores, os integrantes da Geração Z valorizam flexibilidade, bem-estar e tecnologia no dia a dia.

A relação com o dinheiro também é distinta: muitos preferem alugar a comprar, trocam o carro por transporte por aplicativo e priorizam experiências em vez de bens duráveis. Além disso, temas como sustentabilidade e saúde mental têm peso nas escolhas de consumo.

Essa mudança de comportamento já tem impacto visível em setores como comércio eletrônico, fintechs, pets, games e redes sociais. Por fim, à medida que a renda dessa geração aumenta, ela tende a moldar novos padrões de trabalho, moradia e consumo — redefinindo o que significa ser jovem em um cenário de transformações econômicas aceleradas.

*Com informações de InfoMoney.

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