É preciso se precaver contra o tarifaço de Trump

editorial

Pouco se sabe sobre o tarifaço de Trump a ser anunciado nesta quarta-feira,, embora ele já tenha antecipado que serão medidas duras para proteger a economia americana. Pelos primeiros ensaios, criou-se uma expectativa global. Afinal, em um mundo marcado pelo multilateralismo, os atos de comércio estão conectados independentemente do viés ideológico dos governos.
Por conta disso, faz sentido governistas e oposição estarem juntos pela aprovação de forma unânime do projeto de lei que impõe reciprocidade de regras ambientais e comerciais na relação do Brasil com os outros países. De acordo com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ligada ao agronegócio, não se trata de uma retaliação ao governo dos EUA, mas uma medida de proteção contra qualquer país com o qual o Brasil tenha negócios.
A matéria segue agora para a Câmara dos Deputados em caráter de urgência, a fim de ser votada ainda nesta quarta-feira. No meio do caminho, porém, há uma pedra. A liderança do PL, maior bancada de oposição, quer condicionar a votação à inserção na pauta do projeto de anistia aos participantes dos atos de 8 de janeiro de 2023. A senadora entende que o presidente da Câmara, Hugo Motta, precisa resolver esse impasse, já que não há conexão entre os dois eventos.
Nesse aspecto, tem razão o senador Jaques Wagner (PT-BA) ao destacar que o projeto trata de uma questão nacional, de defesa do Brasil no âmbito global, enquanto o projeto da anistia é uma demanda meramente interna. Ele mesmo tem restrições à dosimetria adotada pelo ministro Alexandre de Moraes, mas considera que são pautas distintas.
A matéria, como relatou a senadora Tereza Cristina, não é necessariamente contra os EUA. É, sim, uma ação de defesa contra qualquer governo que tente impor algum tipo de restrição aos negócios do Brasil. Após o presidente Donald Trump colocar essa pauta na mesa, é certo que os demais países irão adotar medidas de segurança, e o Brasil não pode ficar alheio a essa mudança nas relações internacionais.
A reação brasileira representa um raro momento em Brasília, no qual parlamentares ruralistas, como a senadora, se alinham ao Governo Lula para impor uma resposta à taxação generalizada imposta por Trump aos produtos brasileiros.
A persistir esse clima, não haverá surpresa se outros países, como medida de proteção ao seu mercado, impuserem taxações semelhantes. Certamente, seria um caos na economia mundial, mas, ante um cenário de tamanha instabilidade, tudo é possível, e quem não se proteger tende a ter problemas mais agudos.
A União Europeia, no médio ou longo prazo, deverá seguir os passos de Trump. Aliás, já o faz em relação a diversos produtos. Na França, os produtores protestam com frequência contra os preços do agronegócio brasileiro. O presidente Emmanuel Macron já falou abertamente sobre essa questão. É, pois, questão de tempo a implementação do velho adágio brasileiro: farinha pouca, meu pirão primeiro.

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