Agronegócio ainda não saiu da crise mas setor deve manter crescimento e produtividade, diz CEO do Rabobank no Brasil

Apesar de um período recorde em recuperações judiciais e problemas na cadeia do agronegócio, a CEO do Rabobank para o Brasil, Fabiana Alves, acredita que a perspectiva para o Brasil ainda é positiva. Todavia, a executiva considera que o setor ainda não saiu totalmente da crise, citando que eventos de crédito ainda não estão distantes.

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“Não podemos dizer que saímos, ainda. Ainda vemos recuperações judiciais sendo anunciadas ao longo desse período. De fato essas recuperações judiciais prejudicam a oferta de crédito futura, especialmente quando elas contestam as garantias e os produtos financeiros que deveriam ficar fora da recuperação judicial. Quando o sistema legal começa a contestar isso traz uma insegurança jurídica para a indústria financeira que pode acarretar na redução do crédito”, afirma a CEO do Rabobank para o Brasil, em entrevista à IstoÉ Dinheiro.

No geral, a executiva considera que ‘os players que crescem de forma sustentável serão os vencedores’, e com esses que a indústria financeira deve trabalhar e conceder crédito.

O ano de 2024 foi recorde re recuperações judiciais no agronegócio, com 1.272 solicitações segundo dados do Serasa Experian divulgados nesta terça-feira, 1º. No ano anterior haviam sido 534 pedidos – ou seja, o volume mais do que dobrou.

Produtores, especialmente os menores, têm sofrido em um ambiente de juros mais elevados e sem perspectiva de desaceleração.

Alves, contudo, segue olhando que uma recuperação do setor é possível.

“A perspectiva para o ano continua boa, apesar do ciclo de baixa e dos juros altos, entendemos que o agro tem resiliência e tem muita familiaridade com ciclos. O agronegócio é feito de ciclos. Não temos uma preocupação específica”, comenta.

“O setor tem sido o que mais cresce no Brasil, tanto em volume quanto em produtividade, por isso é um setor que atrai muito a indústria financeira, o que significa uma grande disponibilidade de crédito. A questão aqui é como usar esse crédito de forma saudável, como manter os níveis de alavancagem dentro dos negócios de forma que isso não se torne uma situação de estresse financeiro”, completa.

Rabobank espera volta do dólar para patamares acima de R$ 6

O banco multinacional holandês, que atua no setor do agronegócio, projetou um cenário com Selic a 15% neste ano e dólar a R$ 6,09.

Em seu relatório trimestral mais recente, divulgado nesta segunda-feira, 31, o Rabobank citou que espera que o câmbio acomodado em patamares superiores beneficie exportadores.

A tese é de que o dólar deve voltar a este patamar até o fim de 2025 por conta de incertezas fiscais e pelo aumento do diferencial de juros entre os Estados Unidos e Brasil.

Operacionalmente a casa espera que commodities agrícolas como soja, milho e carne bovina liderem o desempenho no setor no ano – com expectativa de recordes para soja, com produção de 170 milhões de toneladas na safra 2024/25.

Alves analisa que com dólar mais alto há ‘mais volatilidade e é necessária maior atenção na gestão do risco e das margens’.

“Variação cambial, para o agro que é exportador, também é parte do negócio. A indústria financeira providencia instrumentos que ajudam os players do agro a se protegerem e fazer a gestão de risco comercial e cambial”, conclui a CEO do Rabobank para o Brasil.

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