Atleta de time amador de Juiz de Fora vai para o futebol uruguaio

Rael Social

Atuar em outro país é o sonho de muitas crianças e adolescentes que tentam ser jogadores profissionais. À medida que o tempo passa, vários desistem do esporte para se dedicar a outras profissões. Quando chegam aos 20 anos, aqueles que não estão na base de algum time diminuem drasticamente as chances de alcançarem o futebol estrangeiro. Mas o juiz-forano Israel Rocha, o “Rael”, nessa idade, conseguiu. Atacante do Esporte Clube Social, ele vai para o Uruguai em agosto disputar a Copa Lokura, maior competição amadora do país, pelo Deportivo Casabó, em um contrato inicial até o fim do ano, com possibilidade de renovação.

Antes de embarcar para o Uruguai, Rael irá disputar a Copa Regional Zona da Mata pelo Social. O Coiote, como é conhecido o clube, estreia na competição no próximo domingo (30), às 10h30, conta o Atalanta FC, no Estádio Haroldo Peres Martins, em São João Nepomuceno. O primeiro jogo em casa será no dia 5, às 15h, contra o Prainha, no Estádio Salles Oliveira.

Rael Social
Atleta do Social, Rael Rocha vai ter primeira experiência internacional no futebol uruguaio (Foto: Felipe Couri)

História de Rael

Rael começou a jogar bola em casa, e, com seis anos, ingressou na escolinha do Tupi. Passou pela Escola Marianinho e, depois, pelo Sport Club. Mas aos 15 anos, perdeu a mãe, e parou de jogar futebol. “Ela era a minha maior fã, a pessoa que mais me apoiava, nunca deixava que eu me abalasse”, conta. Na pandemia, ele voltou aos gramados e foi para o Paduano, time do interior do Rio de Janeiro, mas decidiu voltar.

Novamente, Rael tinha o pensamento de que iria parar de jogar bola. Mas um amigo o convidou  e o convenceu a fazer a peneira do Social. Foi aprovado como o jogador mais novo do elenco, mas, de novo, deixou o futebol para cuidar da saúde mental. Retornou neste ano, quando surgiu a oportunidade de ir ao Uruguai.

“Desde que entrei no Social, o Bejani Jr. (dono do time) sempre me empresariou e buscou oportunidades. Foi numa dessas buscas que ele conheceu o Deportivo Casabó, que fica na capital, Montevidéu. Ele fez um material em formato de DVD e mandou para eles. Gostaram e quiseram contar comigo. Para mim foi engraçado porque ele me ligou numa quinta-feira à noite, quase de madrugada, para falar da oportunidade. Nunca saí do país e nunca viajei de avião”, conta.

Futebol uruguaio

Em agosto, Rael vai para Montevidéu disputar a Copa Lokura pelo Desportivo Casabó. Mas, antes disso, jogará a Copa Regional pelo Social. “É um time que preocupa com nosso bem-estar. Tivemos um bom período de treinamento, conseguimos encaixar e consertar erros. Conheço cada jogador e sei que vamos dar o sangue lá dentro em busca de sermos campeões”, diz.

Como não poderia ser diferente, a ansiedade para atuar no país vizinho é grande. “Chego para a última parte da competição, a fase eliminatória. Vão ser treinos todo dia e uma experiência totalmente diferente, com outra língua e outras pessoas. Eles têm uma imagem muito forte do futebol brasileiro, dão uma atenção maior. Os olhares estão em mim e posso prometer muita determinação e garra, além de gols”.

Perguntado se um dia imaginaria jogar fora do país, Rael diz que quando pequeno, sim. “Mas o Rael do ano passado, que parou de jogar devido à saúde mental, nunca acreditaria. Realizar esse sonho com 20 anos, com outra cabeça, sabendo daquilo que realmente importa, é diferente. Olho para trás e vejo que valeu a pena. E sempre vai ser pela minha mãe, penso nela sempre. Queria que ela estivesse aqui para ver isso, mas sei que, de algum jeito, ela está se orgulhando”, diz, emocionado.

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Rael é atacante “brigador e matador”, define diretor de futebol (Foto: Felipe Couri)

“Oportunidade única”

O diretor de futebol do Social, Enzo Guercio, de 27 anos, teve a oportunidade de jogar cinco anos de College Soccer, nos Estados Unidos, dois desses anos como atleta semiprofissional. Depois, fez curso de análise de desempenho e, hoje, está próximo de finalizar a Licença B da CBF. Ele é o responsável no time de Juiz de Fora por recrutar e estabelecer a conexão entre o campo e a direção. Com sua experiência, ele busca ajudar Rael.

“É uma oportunidade única para ele. Um menino merecedor, batalhador, que já enfrentou desafios que nem consigo imaginar. Sempre de cabeça erguida, busca o melhor e, por isso, merece essa chance. Tenho certeza de que terá um futuro brilhante. No campo, é brigador e matador. Um centroavante clássico, que sai da área para fazer referência, abrir espaço para os pontas e fazer o jogo fluir. Está sempre pronto para finalizar”, define Enzo.

Conforme o diretor, a ideia do Social é inserir mais atletas sub-23 em mercados internacionais. “No Brasil, a partir dos 18 anos, muitos dizem que o ciclo para se tornar profissional se fecha, mas os jogadores maturam em idades diferentes. Alguns com 16 ou 17 anos, como Endrick e Estevão, e outros com 22 ou 23, como o Leandro Damião. Nosso projeto busca atletas da região que ainda não conseguiram se destacar ou não tiveram oportunidades em clubes grandes”, explica.

*Sob supervisão do editor Gabriel Silva

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