Donos de EMS e Hypera travam disputa no Cade por controle da empresa; veja bastidores

A disputa entre Hypera e EMS ganhou novos capítulos, com ambas indo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nos últimos dias.

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Nesta quarta-feira, 26, Carlos Sanchez – o presidente do Conselho de Administração do Grupo NC, conglomerado que controla a farmacêutica EMS – foi ao Cade para ter a possiblidade de comprar mais ações da Hypera e, com esse movimento, ganhar fôlego para fazer uma nova proposta de aquisição. Sanchez detém entre 6% e 8% da Hupera.

Ainda em 2024 a EMS propôs uma fusão com sua concorrente, visando criar a maior fabricante de medicamentos do país. A oferta foi hostil e contemplava a compra de até 20% das ações da concorrente por R$ 30 cada, além de uma troca de ações. Todavia, o conselho da Hypera recusou a oferta.

Na outra ponta, na tarde​ desta quinta-feira, 27, a Hypera foi ao Cade pedindo para entrar como parte no processo e prestar mais informações no âmbito da disputa.

Fontes a par do tema alegam que a EMS omitiu informações na petição em questão, visando levar vantagem na disputa.

“Sanchez omitiu informações ao Cade, dizendo que fez um investimento meramente financeiro, comprando ações ao longo do tempo. Mas não foi citado que eles fizeram, no passado, uma oferta hostil. Isso ficou de fora da petição”, informa uma fonte.

Os vínculos entre o presidente do Conselho do Grupo NC e o empresário Lírio Parisotto também causaram intrigas na disputa. Carlos Sanchez tem feito articulações para que, com suas compras de ações, consiga conquistas cadeiras no Conselho de Administração da concorrente.

Segundo fontes, Parisotto é amigo íntimo do dono da EMS e gere parte dos investimentos de Sanchez. A relação próxima levanta questionamentos se, caso Parisotto assuma uma cadeira no Conselho da Hypera, a situação não possa implicar em compartilhamento de informações sensíveis entre concorrentes.

A IstoÉ Dinheiro entrou em contato com a EMS que afirmou que, por ora, não pretende se manifestar.

‘Insistiu na já recusada oferta’

A IstoÉ Dinheiro teve acesso ao documento o qual a Hypera entrou no Cade, em que é citado que o fundo Dodgers, que detém 6% da empresa – após uma aquisição recente de 2% do capital total – tem vínculo com a EMS.

“Diferentemente do exposto, a Aquisição Narrada, em verdade, se insere em um contexto mais amplo, que deve ser relembrado: o Sr. Carlos Sanchez tentou e insistiu em realizar uma já recusada combinação de negócios do Grupo NC e da Hypera. O Sr. Carlos Sanchez é controlador do Grupo NC, e beneficiário final do Fundo Dodgers”, diz o documento.

Os advogados da Hypera, defendem, com isso, que o ‘Ato de Concentração’ seja analisado ‘levando em consideração todo o contexto da atuação do Grupo NC’.

Em suma, a empresa quer que o Cade leve em consideração a oferta hostil feita em 2024 em os demais movimentos que sinalizam a intenção de Sanchez de ganhar espaço dentro da administração da concorrente.

“A Aquisição Narrada é mais um ato consistente com os planos amplamente divulgados do Sr. Carlos Sanchez de forçar a combinação de duas das maiores empresas farmacêuticas do Brasil. O real objetivo buscado pelo Grupo NC por meio deste Ato de Concentração é obter a aprovação da autoridade de defesa da concorrência para exercer os direitos políticos de todas as ações. Isso não foi dito de forma clara e objetiva”, diz o documento.

Entenda a oferta da EMS pela Hypera

Ainda em 2024 a EMS propôs uma fusão com a sua concorrente, visando criar a maior fabricante de medicamentos do país.

O conselho de administração da Hypera rejeitou a proposta por unanimidade. A justificativa foi de que o valor oferecido subestimava significativamente  a empresa.

Além disso a farmacêutica destacou que os portfólios das duas companhias eram distintos — a Hypera focada em medicamentos de venda livre e a concorrente em genéricos — e que havia diferenças nas práticas de governança corporativa, já que a Hypera é uma empresa de capital aberto desde 2008, enquanto a EMS é uma empresa familiar de capital fechado.

Logo depois disso, a empresa de Sanchez adotou uma nova estratégia e passou a, paulatinamente, fazer compras do capital da concorrente por meio da Perenne Investimentos, gestora do fundo Dodgers.

A Hypera informou que essa movimentação, por ora, não alterou sua composição de controle nem sua estrutura administrativa.

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