BTG Pactual aponta 4 preferidas do varejo após o 4TRI24

Depois que as empresas do setor de varejo entregaram resultados mistos no quarto trimestre de 2024, o BTG Pactual (BPAC11) afirmou que estimava números “decentes” para os nomes do segmento, refletindo expansão da receita líquida e melhorias de margem.

A tendência ainda forte em receita líquida e melhorias na lucratividade foram os pontos que se concretizaram, segundo a avaliação do BTG. Porém, a equipe liderada por Luiz Guanais destacou que algumas varejistas ficaram aquém das expectativas.

A ponderação deles é que o quadro macroeconômico atual, com a Selic no patamar de 14,25% ao ano, junto com uma potencial desaceleração do consumo, sobretudo no segundo semestre de 2025, estão nos holofotes e acendem o sinal de alerta.

“Com potenciais impactos negativos para o crescimento da receita líquida das empresas e para os processos de desalavancagem, somos conservadores na exposição ao setor”, indicou o BTG.

A análise do banco de investimentos é que as ações com baixa alavancagem financeira e bom momento operacional tendem a entregar um melhor desempenho. Considerando o ambiente de incertezas, mas com variáveis macroeconômicas ainda decentes, o BTG Pactual segue conservador quando se trata de exposição ao varejo.

Paralelamente, há também as preocupações de que o consumo possa ser afetado pelas restrições de crédito nos próximos meses. Além disso, as empresas correm um risco de desalavancagem financeira diante do cenário de taxas mais altas de juros, levando as empresas a ajustarem suas estruturas de capital e adotar abordagens mais conservadoras.

“Em recentes reuniões, tanto no Brasil quanto no exterior, nossa visão é que, embora os múltiplos de valuation definitivamente chamem a atenção dos investidores, juntamente com o fato de que, para algumas teses, as revisões negativas de lucro parecem muito mais limitadas agora, a tese macro ainda prevalece, impedindo assim uma maior exposição ao setor”, afirmaram os analistas.

As empresas do varejo que estão no melhor momento e tem menos espaço para revisões negativas de lucros, na visão do banco, são o Mercado Livre (MELI34), Grupo Mateus (GMAT3), C&A (CEAB3) e SmartFit (SMFT3), as preferidas do BTG para o setor.

Brava (BRAV3): BTG vê ‘ponto de virada na história’ após 4TRI24

O quarto trimestre financeiro da Brava Energia (BRAV3) teve um prejuízo líquido pró-forma de R$ 1,028 bilhão. No entanto, do ponto de vista do BTG Pactual (BPAC11), o resultado representa um potencial ponto de virada na história da empresa, com “muitas vantagens” no futuro.

Na visão da Brava, o resultado foi devido à desvalorização cambial do período, evento contábil e, portanto, “sem efeito caixa”. Junto com isso, as interrupções nas produções dos campos de Atlanta e Papa-Terra também pesaram no balanço, porém, elas já foram retomadas.

Com o novo FPSO (unidade flutuante de produção) de Atlanta operando novamente e a maioria dos investimentos de integridade em Papa Terra concluídos, o BTG acredita que a Brava terá chances de desalavancar significativamente seu balanço ao longo de 2025, 

No entanto, esse cenário supõe que a empresa consiga aumentar com sucesso a produção offshore e, pelo menos, evitar o esgotamento de seu portfólio onshore, segundo o “E-Investidor”.

“Qualquer desinvestimento de ativos não essenciais poderia servir como um catalisador positivo adicional, acelerando a transferência de valor da dívida para o patrimônio líquido. Reduzir a percepção de risco é essencial para fechar a lacuna do valuation em relação aos pares – atualmente em 30% com base na relação entre o valor da empresa sobre o Ebitda (lucro antes de juros, depreciação, amortização e impostos) de 2025”, consta no relatório do BTG.

Sendo assim, a equipe do banco reforçou que o menor rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista esperado este ano (abaixo de 10% após as parcelas de fusões e aquisições) segue como uma ressalva e pode limitar a urgência do investidor em precificar uma reclassificação mais rápida.

A recomendação do BTG é de compra para as ações da Brava Energia, com preço-alvo de R$ 32, o que representa um potencial de valorização de 74,8% sobre o último fechamento.

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