Dólar quase nos R$ 6: alta reflete ceticismo com política fiscal

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Foto: Freepik

O dólar comercial opera em forte alta nesta quinta-feira (28), um dia após o anúncio do pacote fiscal feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Às 10h57, a moeda avançava 0,78%, cotada a R$ 5,9865. Na véspera, o dólar fechou em R$ 5,91.

Segundo especialistas consultados pelo BP Money, a disparada da moeda é reflexo da insatisfação do mercado com as propostas da equipe econômica.

Na avaliação de João Kepler, CEO da Equity Fund Group, além de o pacote fiscal ter sido “insuficiente”, o governo errou ao anunciar isenções tributárias “em um momento que exigia cortes e ajustes fiscais”.

O especialista faz referência à decisão de isentar o Imposto de Renda (IR) para os que ganham até R$ 5 mil e compensar com um IR mínimo de 10% para os que ganham acima de R$ 50 mil. Além disso, o governo pretende levar para o Congresso a proposta de taxação de super-ricos e de dividendos, hoje isentos de tributação.

“Sem medidas claras que reforcem o compromisso com o equilíbrio fiscal e que gerem confiança, a tendência é que o mercado continue a precificar um cenário de risco elevado, o que torna ainda mais desafiadora a recuperação econômica das empresas no país”, disse Kepler.

Impactos da alta do dólar

Ainda de acordo com João Kepler, a valorização do dólar frente ao real representa um aumento significativo nos custos, afetando diretamente as margens de lucro e a competitividade no mercado.

“Além disso, a valorização do dólar pode reduzir o interesse de investidores internacionais por ativos brasileiros, dificultando a captação de recursos e o financiamento de projetos estratégicos”, explicou.

Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, chama atenção para a inflação, que é pressionada com a alta da moeda via aumento do custo de importação – o que fazer com que o BC mantenha os juros elevados por mais tempo.

“Para os consumidores e empresas, a alta da moeda americana encarece produtos importados e insumos industriais, reduzindo o poder de compra e aumentando os custos de produção”, completou Monteiro.

Há ainda impacto severo para o setor de construção civil, avaliou Alex Andrade, CEO da Swiss Capital Invest. “A valorização do dólar encarece significativamente os insumos importados, além de pressionar os custos logísticos. Isso compromete a viabilidade de novos projetos e reduz a margem de lucro das empresas do setor”, disse.

 

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