No Reino Unido, OBR corta pela metade projeção do PIB e ministra alerta sobre incertezas

O Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR, na sigla em inglês) do Reino Unido cortou pela metade a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) britânico neste ano, de 2% para 1%, segundo pesquisa trimestral divulgada nesta quarta-feira, 26. Em discurso no parlamento para apresentar o relatório, a ministra das Finanças, Rachel Reeves, alertou sobre as dificuldades enfrentadas em um ambiente global “amplamente incerto” com a guerra em andamento na Ucrânia, fluxos comerciais instáveis e custos de empréstimo elevados.

Reeves reiterou que o Partido Trabalhista herdou uma economia quebrada, depois de anos do governo sob controle do Partido Conservador. “Desde que assumimos no ano passado, trabalhamos para reequilibrar finanças públicas e dar estabilidade para o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) cortar taxas de juros”, afirmou.

Antes do discurso da ministra, o premiê do Reino Unido, Keir Starmer, ressaltou que “tem confiança total” no trabalho de Reeves e defendeu a necessidade de ampliar gastos com defesa como recurso também para melhorar a situação econômica do país, ao ser questionado pelo parlamento.

Inflação

O OBR ainda elevou a projeção para a inflação ao consumidor (CPI, em inglês) a alta de 3,2% em 2025, no levantamento trimestral. No relatório anterior, de outubro, a previsão era de avanço de 2,5% no período. A alteração nas projeções reflete expectativas de preços mais elevados de alimentos e energia, segundo o OBR, antes que a inflação volte a desacelerar rapidamente a partir de 2026.

Em discurso no parlamento, Rachel Reeves destacou que a inflação deve voltar à meta de 2% de modo sustentado a partir de 2027 e admitiu não estar “satisfeita” com as projeções, que também cortaram perspectivas para o crescimento econômico em 2025.

Ela defendeu o aumento de gastos e investimentos públicos para “assegurar a segurança nacional” do Reino Unido em defesa – para ampliar o desenvolvimento industrial e de tecnologia militar – e na economia – para impulsionar o PIB e a produtividade. “Vamos aumentar os gastos de capital em cerca de 2 bilhões de libras por ano”, disse.

Contudo, ressaltou que as regras fiscais “não são negociáveis” e que o próprio OBR prevê que o governo atenderá às regras.

A ministra reiterou o comprometimento em aumentar os gastos com defesa para 2,5% do PIB e de direcionar 2,2 bilhões de libras em recursos adicionais para o Ministério da Defesa em 2026. Dentre esses recursos, um valor mínimo equivalente a 10% será direcionado apenas para gastos em tecnologias, como drones e inteligência artificial (IA).

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