Pesquisas eleitorais refletem apenas o momento

editorial

Pesquisas eleitorais feitas com grande antecedência costumam olhar mais para trás do que para frente, daí não haver surpresa nos números apresentados nesta quinta-feira pela Genial/Quaest indicando o comportamento do eleitor nos principais colégios eleitorais do país sobre a sucessão de 2026. Em Minas, o senador Cleitinho Azevedo lidera a corrida, e logo atrás vem o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. O senador foi eleito para o primeiro mandato em 2022, enquanto Kalil disputou o Governo de Minas no mesmo ano.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes está disparado à frente dos adversários, repetindo o desempenho que teve no pleito do ano passado, quando foi reeleito por larga distância dos concorrentes ainda no primeiro turno. O nome desses personagens, pois, está claro na mente do eleitor.

Mas, se o eleitor tende a se lembrar do último pleito, os pesquisadores também avaliam o que ele pensa no momento. Os governadores foram avaliados, e o mineiro Romeu Zema está bem no filme. No entanto, a despeito de 50% considerarem que seu eventual indicado deve ser seu sucessor, o desempenho do vice, Mateus Simões, ainda não confirma essa possibilidade. Ele está na última posição entre os nomes apresentados pelos pesquisadores.

Isso, entretanto, não indica ser ele uma personalidade fora do páreo. Quando disputou seu primeiro mandato, em período semelhante, o então candidato Romeu Zema não tinha, sequer, dois dígitos nas pesquisas. Com o decorrer do tempo de campanha tal cenário mudou. Além de surfar na onda dos outsiders, ele teve como adversário o governador Fernando Pimentel, cuja gestão estava sendo questionada até mesmo por sua base.

O que os candidatos precisam perceber é que a rua faz uma nova leitura da política e não se contenta com a apresentação de obras como fator para ganhar a adesão. Os números recentes indicam que o eleitor digital considera que os governantes, ao fazerem realizações, não prestam qualquer favor ao povo, porque suas ações não passam de mera obrigação. A avaliação do presidente Lula e de seu governo é emblemática. Mesmo anunciando novos programas, ele ainda não virou o jogo.

Os candidatos de 2026 não estão de todo apresentados em decorrência do próprio processo político. O senador Rodrigo Pacheco é considerado o candidato de preferência do presidente Lula, mas ele ainda patina nas pesquisas por não ter dado qualquer sinalização nesse sentido. Ao estilo mineiro, prefere que falem de seu nome e aposta na possibilidade de maior visibilidade se virar ministro na reforma ora em curso.

As estratégias divergem até mesmo no campo da direita. O senador Cleitinho pode migrar para o PL, o que faria dele o candidato respaldado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. E como ficaria o governador? Zema já antecipou que seu vice é o nome de sua preferência e deve até antecipar a sua desincompatibilização para tê-lo por mais tempo à frente da atual gestão. Dessa forma, ampliaria sua visibilidade. Só o tempo dirá se essa articulação chegará ao resultado esperado. O ex-presidente Tancredo Neves, do alto de sua sabedoria, dizia que na solidão das urnas o eleitor pode ser levado a trair. Isto posto, as pesquisas de hoje podem não ser as mesmas de outubro de 2026.

 

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